Como foi o mercado ontem:

Na semana passada, os principais índices de Wall Street encerraram o dia novamente em território negativo. O feriado de Thanksgiving nos EUA, na última quinta-feira, era para ter sido tranquilo no mercado financeiro para a sexta-feira, porém não foi bem isso que aconteceu e as últimas notícias acabaram estragando a festa. Uma nova cepa do Covid-19 encontrada na África do Sul, o B.1.1.529 que foi batizado de Ômicron, fez com que as bolsas ao redor do mundo caíssem.

• Dow: (-2,53%)
• S&P: (-2,27%)
• Nasdaq: (-2,23%)

• Setores: Todos os 11 principais setores do S&P 500 encerraram em território negativo, com destaque para Tecnologia XLK (-2,50%), financeiro (-3,32%) e Petróleo XLE (-4%). Entre os papeis, Pfizer (+6,1%) e Moderna (+20,5%) foram as maiores altas do S&P. Liderando as perdas, Norwegian Cruise (-11,3%) e Royal Caribbean (-13,2%).

• Dólar: a moeda norte-americana avançou 0,54%, cotada a R$ 5,59.

• Economia: Na agenda da semana anterior, o grande destaque econômico foi a permanência no cargo do atual do presidente do Banco Central Americano. O presidente Joe Biden indicou Jerome Powell para um segundo mandato de 4 anos no FED, mesmo sendo o diretor um republicano. Existe aquele velho ditado “em time que está ganhando não se mexe”, porém muitos duvidam das palavras de Powell sobre a atual inflação, se ela é apenas temporária como ele defendem ou veio para ficar. Vale ressaltar que mesmo que ele tivesse saído do cargo e outro candidato entrasse, a visão sobre como conduzir a política monetária atualmente — através da manutenção de juros baixos —, é esperada quase como unânime nos EUA, pelo menos no curto prazo, à medida que a economia lida com as consequências contínuas de uma nova onda da pandemia.

Notícias Corporativas

Variante Ômicron
Uma nova cepa do Covid-19 encontrada na África do Sul, o B.1.1.529 que foi batizado de Ômicron, fez com que as bolsas ao redor do mundo caíssem em torno de -2% e -3%.
O número de casos de mortes ainda é pequeno, mas o que assusta é sua velocidade de transmissão. Vimos ela se alastrando rapidamente, embora a África do Sul apresente um índice baixo de vacinação de sua população (25%), tornando-se um excelente campo para o vírus se propagar e se modificar. Além disso já estávamos vendo um aumento significativo de casos em países desenvolvidos, especialmente na Alemanha. Temos que lembrar que no hemisfério norte estamos no inverno e nesse período tende a aumentar os casos de gripes e outras doenças, deixando a população mais suscetível a problemas de saúde.

Não só vimos aumento de casos na Europa como em NY já foi decretado estado de emergência e parece que até no Brasil já encontramos turistas que vieram da África do Sul com Covid.

Dada a grande quantidade de notícias negativas na última quinta e sexta-feira, o Índice do medo chamado VIX disparou 54%, seu quarto maior aumento de 1 dia na história (os dados do $ VIX datam de 1990).

Ok, o risco aumentou, mas será que o momento é de pânico? Eu vou destacar mais abaixo a minha opinião e quais os setores que mais ou menos se beneficiam neste cenário, mas o Daniel Haddad comentou dois pontos muito importante que vale ressaltar:

1) Hoje estamos mais bem preparados para lidar com lockdown do que em março/20. Aliás nunca o mundo esteve tão bem-preparado para lidar com a pandemia quanto agora;
2) A responsividade da cadeia farmacêutica mudou completamente de patamar pós-COVID. Hoje é muito mais rápido diagnosticar, medicar e tratar.
Como Investir agora?

Dezembro é historicamente um mês positivo para o mercado financeiro. É neste período até o Natal que temos o equivalente a 1/3 das vendas anuais e é neste mês que temos a maior sazonalidade de alta da bolsa. Obviamente que é difícil de prever se realmente isto vai se concretizar ou não, mas podemos notar que este ano o mercado vem respeitando bem os ciclos:

O Will já vinha comentando na semana passada: será que é bolha no SP500? Obviamente que a queda da última semana nos deixa aflitos e essa nova variante preocupa, mas também podemos lembrar que o mercado estava próximo das máximas e que qualquer notícia poderia ser um driver para trazer realizações de lucros no curto prazo.
Apesar da queda da semana anterior, um gráfico muito interessante do Credit Suisse de médio prazo mostra que o grande impulsionador do mercado mundial (MSCI World) são os lucros das empresas (linha superior azul) e não os múltiplos (Forward P/E na linha inferior).
Isso significa que os principais índices mundiais apresentam um crescimento saudável, oriundo de um aumento intrínseco de demanda/vendas e não de especulação de investidores. Obviamente que o risco atual da variante Ômicron é relevante, porém sabemos que ainda existe uma demanda reprimida e que muitas das empresas não conseguiram retomar a sua capacidade total de produção.

O que esperar para o mercado hoje:

Nos Estados Unidos, o destaque desta semanada é o dado do payroll, referente ao mercado de trabalho americano. Apesar da inflação elevada nos EUA, nos últimos meses, o desempenho do mercado de trabalho ainda não representa uma preocupação para o Fed. Essa divergência é o que ainda sustenta a leitura de alguns membros do comitê de política monetária americana de transitoriedade das pressões sobre os preços. A agenda no Congresso americano também deve ser agitada. A prioridade deve ser um acordo sobre o orçamento público, tema que tem calendário apertado para aprovação. Volta a ameaça de um shutdown e, a partir do dia 3 de dezembro, o governo poderia entrar em paralisação. Além disso teremos outra atualização sobre a saúde do gigante mercado asiático. A pesquisa das fábricas do ISM dos EUA será lançada na quarta-feira e o presidente do Fed, Jerome Powell, e a secretária do Tesouro, Janet Yellen, falam perante o Congresso na terça e na quarta-feira.

• Ásia: O índice de Shangai (-0,04%), enquanto no Japão, a Nikkei fechou (-1,63%).

• Europa: Na Europa, a Euro Stoxx opera em alta (+0,78%). A CAC40 (índice francês) (+0,69%) e a DAX (índice alemão) (+0,39%), enquanto, na Inglaterra (FTSE100) (+0,60%).

• Futuros: e os futuros americanos temos o Nasdaq com +1,02%, +0,71% para o S&P e de +0,42% para o Dow.

• Agenda: –

• Balanços: terminada a temporada de balanço, devemos ter alguns poucos resquícios e vamos apresentando ao longo dos dias.

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