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Nessa semana veremos o início dos Earnings Reports de forma oficial aqui nos EUA e, nessa newsletter, minha intenção é passar um resumo do que pode ser interessante saber a respeito. Então Vamos lá?

O que são os Earnings Reports?
São as publicações de resultados trimestrais e/ou anuais das empresas. Quando elas anunciam ao mercado seus lucros, prejuízos, custos, despesas, fluxo de caixa, etc. É uma declaração pública oficial da empresa acerca do momento vivido pela companhia e eventuais perspectivas sobre o futuro.

10-Q, 10-K?
As empresas públicas são obrigadas a apresentar o relatório chamado 10-Q (trimestral) e o 10-K (anual) junto à Securities and Exchange Commission (SEC). Os principais componentes do 10-Q são a demonstração de resultados, o balanço patrimonial, a demonstração dos fluxos de caixa e os comentários da administração.

Não supervalorize os números apresentados
É importante ressaltar que os balanços e números apresentados se referem ao período que vai de 31 de março de 2022 até 30 de junho de 2022. Ou seja, é um olhar sobre o passado da empresa, vendas e lucros que já aconteceram e que não tem garantia de repetição.

Agora, por que então o Earnings Season é um evento importante para o mercado?
Porque fornecem uma fotografia de como a empresa vem se comportando em meio ao cenário atual e o que pensa/planeja para seu futuro. Junto com os earnings passados, muitas empresas apresentam guidances (previsões) sobre dos seus resultados futuros e/ou realizam reuniões públicas, quando a diretoria da empresa fala ao público. O earnings season é bastante aguardado pelos analistas de mercado que visam fazer diversas projeções sobre os números da empresa e, com a divulgação pública desses números, eles podem comparar se suas estimativas estão alinhadas ou não. Essa comparação (expectativa vs realidade) tende a criar impactos nos preços das ações. Em mercado de capitais trabalhamos com frequência em função de expectativas e, por isso, números acima ou abaixo das expectativas de mercado tendem a gerar fortes oscilações nos preços das ações.

Quando acontece?
Abaixo você encontra um calendário dos resultados a serem divulgados ainda nesse mês de julho. Vemos que entre as maiores empresas (em termos de valor de mercado) temos destaque para os resultados dos bancos americanos, em especial JP Morgan, Wells Fargo e Citibank.

Como posso acompanhar essa divulgação?
As empresas normalmente possuem uma área de Relações com Investidores (investor relations), onde postam seus relatórios nas datas previamente informadas. No mesmo site você encontra mais informações sobre as datas de eventuais reuniões públicas com a companhia. Além disso, realizamos um acompanhamento dos resultados das maiores empresas americanas (em termos de capitalização de mercado)
Outro link útil para quem quer acompanhar os anúncios de resultados é esta página da CNBC

O que o mercado espera?
Em se tratando de expectativas não existem certezas. Este é campo subjetivo e errôneo e sendo assim, penso que vocês não devem pautar suas decisões de investimento nessas expectativas.
Existem algumas fontes de informações. Essa reportagem do Barrons é um exemplo. No entanto, por motivos de compliance não vamos aqui abordar expectativas específicas, previsões de lucros e receitas, apenas abordar em linhas gerais os aspectos econômicos dos resultados.

Olhando de uma forma geral, a despeito de todos os receios com a inflação e desaceleração econômica, não houve uma grande correção de previsões de lucros no mercado para esse 2T22.

O gráfico abaixo mostra isso. Ao passo que vimos o índice S&P 500 apresentar quedas, o mesmo não aconteceu nas estimativas de lucro por ação dos analistas até agora (linha azul escura).

FactSet

O desempenho passado pode não ser indicativo de resultados futuros.
Tenha em mente que as pessoas físicas não podem investir diretamente em qualquer índice.

Talvez uma explicação para isso seja a dispersão entre expectativas setoriais.

Pessimismo ao olhar a frente?
Mas como em mercado as estimativas podem ser importantes e tudo e uma questão de futuro, penso que o mercado deve parar para olhar com calma as estimativas olhando a frente o chamado guidance*. Existe uma perspectiva de comentários e conferências de resultados que ressaltem as dificuldades de crescimento e receios com inflação. De acordo com o CEO da Richard Berstein Advisors:

“I think you’re going to see an increasingly cautious tone from management teams. We’re on the slow side of the profit cycle”

*Sobre “guidance”: projeção ou orientação é definido como uma projeção ou estimativa de EPS (earnings per share) ou de Receitas fornecida por uma empresa antes da empresa relatar os resultados reais. O guidance é classificado como negativa se a estimativa fornecida pela empresa for menor que a estimativa de EPS ou de receita média no dia anterior à emissão do guidance. O guidance é classificado como positivo se a estimativa fornecida for maior do que a estimativa de EPS ou receitas no dia anterior à emissão da orientação.

Assuntos pertinentes
Olhando o que passamos nos últimos meses em termos de contexto macro, podemos elencar alguns tópicos que podem aparecer e/ou serem citados durante essa Earnings Season.

Penso que principal tema/foco do mercado estará nos receios das empresas acerca de desaceleração e possível recessão olhando à frente. Inflação é outro tema que deve se mostrar presente, como já vimos nas últimas divulgações de resultados. Aqui, em especial, cabe olhar a capacidade e expectativas das empresas conseguir repassar maiores pressões de custos aos seus preços de forma a proteger ou não suas margens de lucratividade. Outro fator que pode aparecer são as interrupções em cadeias de suprimentos, especialmente considerando os fechamentos que aconteceram na China nos últimos meses com o recrudescimento da Covid por lá.

Outro assunto que deve se mostrar presente é o impacto de variações cambiais nos resultados. Vimos o índice dólar (DXY – uma cesta de moedas comparativamente ao dólar) se valorizar 11% no ano. Isso quer dizer que as vendas de empresas multinacionais em moeda estrangeira passam a valer menos quando convertidas em dólares quando o dólar se fortalece. Dado que muitas das empresas negociadas na bolsa americana possuem uma exposição e atuação global, é importante ver como isso irá aparecer nos resultados nesse trimestre.

Analisando setorialmente
Pensando setorialmente existem alguns fatores específicos que podem afetar cada setor de forma diferente. Essa lista que elaborei não é exaustiva e serve apenas como ideias de temas que podem ser um assunto relevante em cada setor.

Tecnologia. Olhando para as quatro maiores empresas da bolsa americana (Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon.com) e adicionando ainda a Meta Platforms (décima segunda maior), vemos que os lucros delas em conjunto apresentaram queda de 1,5% no 1T22 ante o 1T21. Para esse 2T22 persistem as preocupações com desaceleração das vendas de publicidade digital, reabertura de mudanças nos gastos do online para o mundo real, além de uma base de comparação elevada (números de 2021 mostraram forte crescimento).
Bancos. Para o setor bancário, muitos começaram as divulgações ainda nessa semana. Será importante olhar o nível de confiança dos CEOs com a economia e o nível de provisões que estes irão fazer para possíveis perdas futuras com créditos inadimplentes. Além disso, é importante olhar suas predições sobre o fornecimento de crédito para consumo, empresas e mercado imobiliário.
Energia. Os preços de petróleo e gás se mantiveram em patamares elevados ao longo do 2T22, então veremos se essas expectativas se tornarão realidade. Outro tema relevante nesse setor deve ser o uso de capital e eventuais recompras de ações e/ou pagamento de dividendos – atualmente dentre os 10 maiores dividend yields (mostra quanto uma empresa paga em dividendos a cada ano em relação ao preço de suas ações) do S&P 500, 5 são do setor de energia.
Varejo. Considerando os últimos resultados, onde algumas empresas demonstraram preocupações com seus níveis de estocagem, vai ser importante observar isso. Até que ponto as empresas conseguiram reduzir seu nível de estocagem geral. Além disso, a redução de estoques muitas vezes passa por reduções de preços que afetam margens. Vamos ver o que os resultados nos dizem.
Real Estate. A elevação das taxas de juros nos EUA já fez impacto nas taxas de mortgages (taxas de hipotecas imobiliárias) que saltaram nos últimos meses. Será interessante entender quais as perspectivas das empresas do setor acerca da demanda e futura e impacto em termos de preços de imóveis. Especialmente considerando certa correlação que os lucros por ação estimados (linha verde) guardam com as vendas de casas novas (linha cinza), como apresentado no gráfico abaixo.

The Daily Shot

O desempenho passado pode não ser indicativo de resultados futuros.
Tenha em mente que as pessoas físicas não podem investir diretamente em qualquer índice.

Hora da verdade?
Penso que chegamos num momento bastante importante para o mercado. O Earnings Season é um evento importante que impacta e movimenta os preços de diversas empresas. Além disso, os comentários e expectativas das diretorias das companhias sempre trazem insights interessantes sobre desempenho da economia.

Chama atenção o descolamento entre performance dos índices americanos – nesse gráfico representado pelo S&P 500 na linha azul – e as estimativas de lucros das empresas – linha preta. O gráfico abaixo apresenta essa diferença. Parece que algo não está correto, não é mesmo?

Penso que no cerne da percepção de que a bolsa americana possa estar barata ou não se encontram os resultados das empresas, na sua capacidade de superarem os recentes momentos adversos, principalmente olhando a frente. Muitos falam de correções nos múltiplos que a bolsa americana hoje opera – me refiro aqui a relação preço/lucro e vale lembrar que essa relação possui duas variáveis, claro, o preço e o lucro. Dado o descolamento atual – preços em quedas – e será que veremos o mesmo com lucros a frente? E se acontecer, em qual magnitude se dará?

Era isso pessoal…nos sigam nas redes sociais @willcastroalves Twitter e Instagram.

Aquele abraço, William Castro Alves

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