Avenue

Por

William Castro

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XPInvestimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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Reafirmando o nosso papel como um dos principais players na categoria de investimentos internacionais, nós da Avenue queremos, cada vez mais, expandir as fronteiras de investimentos pessoais, por meio da formação e desenvolvimento contínuo dos nossos clientes. E claro que, para avançarmos juntos nessa jornada, temos apostado na evolução de nossa plataforma, adicionando ao cardápio de produtos listados na bolsa outras opções de investimento. Acreditamos que, assim como já vemos aqui nos EUA, está em curso uma expansão do acesso a um produto que pode ser bastante interessante para determinados perfis de clientes. Refiro-me aqui a produtos de crédito privado nos EUA. Spoiler: em breve, eles irão figurar entre os ativos disponíveis em nossa plataforma.

Mas, antes, cabe entendermos melhor do que se tratam tais produtos.

 

O que é o “crédito privado”?

Ainda que o nome pareça óbvio, vale uma explicação detalhada. É de conhecimento geral que qualquer operação de crédito se resume a um contrato entre duas partes, contemplando um agente que concorda em emprestar um recurso por um período de tempo e um tomador, que tem a obrigação de pagar o valor tomado acrescido do valor de uma taxa de renumeração (juros) definida. Quando levamos esse conceito à esfera privada temos o crédito privado, ou seja, uma operação de empréstimo negociada de forma privada entre um tomador e um credor que não se configura como banco.

Portanto, os produtos de investimento situados nessa categoria visam conectar o “funding” (emprestador) com o tomador – geralmente uma empresa de médio porte que, na hora de captar recursos para financiar operações ou projetos de expansão, opta por alternativas aos bancos.

 

Algumas características:

Juros. Normalmente, os empréstimos de crédito privado são feitos com taxas de juros flutuantes ou variáveis, ao contrário da vasta maioria dos empréstimos no mercado de bonds nos EUA que, em grande parte, se dão a taxas fixas. Isso significa que os juros devidos pelo tomador do empréstimo flutuarão conforme as taxas de juros de curto prazo de referência da economia aumentarem ou caírem. À medida que as taxas de juros aumentarem, tende a aumentar também o pagamento dos juros devidos ao credor, sendo o contrário igualmente verdadeiro.

Porte das empresas. A maioria das empresas que acessam essas fontes de financiamento buscam alternativas aos bancos e ao mercado de capitais por inúmeros motivos, como melhores taxas, prazos ou condições de financiamento. Em grande parte, trata-se de empresas de médio porte.

Níveis de senioridade. Os níveis de senioridade das dívidas são um fator importante a ser considerado na hora de investir. Níveis de senioridade se referem à priorização do recebimento do capital emprestado em uma situação de solvência do tomador do empréstimo. Tais níveis determinam a ordem em que os investidores serão reembolsados, caso uma empresa/mutuário tenha problemas. Comumente, a dívida sênior tende a ser reembolsada primeiro e tem o menor risco/potencial de retorno. Por sua vez, os proprietários de ações ficam abaixo de todos os detentores de dívidas e costumam recebem retornos mais elevados por assumirem riscos maiores.

Fonte: Private Credit Investing: What You Need to Know – KKR 04/jul/2024

 

Expansão recente. O mercado de dívida privada cresceu cerca de 6x desde a crise financeira global de 2007-2008, alcançando um valor estimado de US$ 1,2 trilhão (fonte). No gráfico abaixo, vemos a evolução do volume de emissões de diferentes tipos de crédito privado, entre 2007 e 2021.

Fonte: Understanding Private Credit – jul/2024

 

Esse crescimento possui um contexto histórico importante. Como resultado da grande crise financeira de 2008, houve um aumento das barreiras e dos controles aos bancos em determinados segmentos de mercado. Mudanças regulatórias, como os acordos de Basileia III (pós-crise de 2008), aumentaram os requisitos de capital dos bancos, tornando menos atrativo o empréstimo para empresas de médio porte. Para as empresas, a maior dificuldade de acesso a crédito nos bancos tradicionais somada ao elevado custo de emissão de dívida pública nos mercados de capitais fizeram com que elas buscassem alternativas de financiamento em instituições não bancárias.

Como reflexo direto, temos acompanhado uma expansão notável da participação de empresas não bancárias nesse mercado, incluindo algumas das maiores gestoras dos EUA, como a Blackrock e a Blackstone.

Fonte: Private Credit Fund | BlackRock – jul/2024

 

Por que investir em crédito privado?

O crédito privado pode ser uma boa alternativa de diversificação às estratégias tradicionais de renda fixa. Acompanhe, a seguir, os principais atrativos que listei para complementar a nossa análise:

  • Busca por rendimentos maiores do que na renda fixa tradicional. O gráfico abaixo apresenta o yield to maturity dos veículos de investimento direto em comparação a alternativas de investimento em renda fixa. Dessa forma, investindo em crédito privado, você tende a alcançar yields mais elevados do que na renda fixa tradicional.

 

Fonte: Private Credit Investing: What You Need to Know – KKR – 04/jul/2024

 

  • Descorrelação. Menor correlação ou menor sensitividade a taxa de juros vis-à-vis alternativas de renda fixa: dado que grande parte das alternativas de crédito privado se dá através de empréstimos a taxas flutuantes, os veículos de investimentos em crédito privado tendem a apresentar uma menor sensitividade às taxas de juros. Em resumo, estes títulos tendem a sofrer um impacto menor da marcação a mercado, decorrendo muito mais do risco do credor do que das taxas de juros.
  • Perfomance. Quando olhamos o desempenho da classe ao longo da última década, ajudado pelo yield elevado, percebemos que o crédito privado teve um desempenho superior ao dos empréstimos públicos (negociados abertamente em mercado de capitais) – vide gráfico abaixo.

Fonte: Understanding Private Credit – jul/2024

 

Outro ponto interessante é que, quando examinamos o histórico de performance, notamos que a classe de ativos tem revelado uma certa resiliência ao longo dos anos, em diferentes ciclos. Claro que não há certezas ou garantias sobre o seu desempenho futuro, mas esse registro é, no mínimo, interessante.

Fonte: Private Credit Investing: What You Need to Know – KKR – 04/jul/2024

 

Riscos do Crédito privado?

Bom, como em todo e qualquer produto financeiro, o investidor deve considerar os riscos na hora de investir nesse tipo de produto. Na minha visão, os dois principais riscos desse mercado são: liquidez e risco de crédito.

Posto que a maioria dos títulos de créditos que fazem parte das carteiras desses veículos de investimentos são papéis negociados em mercados privados, boa parte desses produtos de investimento apresenta carências e/ou restrições de liquidez que devem ser consideradas pelo investidor.

Além desses pontos destacados, há também intrinsecamente a questão do risco de crédito relacionada, seja para grandes empresas, países ou empresas de médio porte. Isso quer dizer que, em situações de estresse da economia e/ou de um setor específico, algumas das empresas que compõe tais portfólios podem apresentar dificuldades que, por sua vez, podem afetar o nível de yield dos fundos.

Vale lembrar que é sempre importante que o investidor avalie todos os riscos daquele determinado produto e considere se faz sentido ou não para o seu perfil de risco, suas características e seus objetivos.

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Mudando de assunto…

 

ENQUANTO ISSO NA ECONOMIA

A semana mais curta por conta do feriado nos trouxe importantes updates sobre o mercado de trabalho.

 

Mercado de trabalho americano no “VAR”?

A economia dos EUA novamente criou mais empregos do que o esperado em junho – foram registradas 206 mil contratações versus 191 mil esperadas. No entanto, alguns fatores tornaram a leitura desse Payroll muito mais branda do que os números podem sugerir. Os principais motivos para esse olhar cauteloso são:

  • Mais uma vez, houve a revisão dos dados de criação de postos de trabalho para baixo – foram 111 mil postos de trabalho a menos nos últimos 2 meses, representando um número bastante expressivo;
  • Os salários cresceram em linha com o esperado pelo mercado, mantendo a tendência de arrefecimento observada anteriormente;

Fonte: CNBC – 05/jul/2024

 

  • Enquanto isso, a taxa de desemprego subiu para 4,1%;

Fonte: CNBC – 05/jul/2024

 

  • Já o maior responsável pela criação de postos de trabalho no período analisado foi o governo, sendo que a criação de postos de trabalho no setor privado foi relativamente fraca – algo que o dado do ADP havia indicado na quarta-feira.

Sendo assim, a leitura desse Payroll se mostrou mais comedida, sugerindo que a economia e o mercado de trabalho americano seguem dando alguns sinais de desaceleração. Essa interpretação, inclusive, justifica a queda nos yields dos títulos de dívida americana no curto prazo.

 

IMPACTOS…

NA RENDA FIXA

Na renda fixa, a história continua a mesma, com a expectativa em relação aos cortes de juros começando esse ano. Ainda que sob uma série de incertezas, ao se confirmar esse cenário de desaceleração da economia, abre-se espaço para que os cortes comecem. Portanto, para o investidor, entendemos que seja cada vez mais urgente aproveitar o atual patamar elevado de juros antes que ele caia. O mercado segue apostando em uma redução desses juros (fed funds) para algo em torno de 3,73%, após 2025 – vide gráfico abaixo.

Fonte: Guide to Markets JP Morgan – 04/jul/2024

 

NA RENDA VARIÁVEL

Tivemos mais uma semana positiva com os índices americanos atingindo novas máximas históricas. Curioso notar que, neste ano, tivemos diversos dias com a bolsa renovando suas máximas. Esse fato reforça o que já demonstrei outras vezes por aqui de que, mesmo investindo nas máximas dos índices, os investidores ainda podem obter bons retornos – lembrando que, em se tratando de renda variável, nada é garantido e sempre há riscos a serem considerados. Os gráficos abaixo comparam o número (quantidade) de dias de máximas históricas no S&P500 (esquerda) e Nasdaq (direita), em diferentes anos.

Fonte: The Daily Shot – 02/jul/2024

 

Nosso receio em relação à classe decorre, principalmente, de alguns fatores que sintetizei abaixo – para quem não acompanhou ou quiser rever o programa, esse assunto foi recentemente abordado na nossa última live de cenário macroeconômico: Conexão Avenue – Cenário Macroeconômico (03/07/24).

Um dos pontos de atenção refere-se à baixa difusão de alta dentro das empresas do S&P500, sendo que apenas 25% das empresas listadas apresentaram uma performance melhor que a do índice;

Fonte: Willie Delwiche on X – 01/juj/2024

 

Outro alerta abrange a questão de uma sazonalidade menos favorável. Entramos em um período do ano que, historicamente, não tem se mostrado tão favorável assim, conforme podemos avaliar no gráfico abaixo. Não obstante, neste ano teremos ainda uma eleição presidencial nos EUA – evento que tradicionalmente eleva a volatilidade do mercado conforme já comentado aqui: Eleições americanas de 2024: mais volatilidade no mercado?

Fonte: The Daily Shot – 01/juj/2024

 

E obviamente, após essas altas do mercado, a questão envolvendo valuation, preço e margem de segurança acabam sendo questionados. Atualmente, o S&P500 negocia um desvio acima da sua média de múltiplo dos últimos 30 anos.

Fonte: Guide to Markets JP Morgan – 04/jul/2024

 

Por fim, sugiro cautela por parte dos investidores em seu approach à renda variável nos patamares atuais. Acredito que o desempenho das ações é um reflexo direto dos seus resultados financeiros e econômicos, então um fator muito importante que teremos nas próximas semanas será a temporada dos resultados do segundo trimestre que serão divulgados logo mais – vide calendário abaixo.

 

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Aquele abraço!

William Castro Alves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

 

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William Castro

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XPInvestimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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