VISÃO DO ESTRATEGISTA

RESUMO

Apesar do receio com o “Sell in May and go away” e do susto da primeira quinzena do mês, os mercados americanos caminham para encerrar o mês de maio perto das máximas históricas novamente. O Dow Jones subiu 1,93% no mês e acumulou 12,82% no ano. O S&P subiu 0,55% no mês e acumulou 11.93% no ano. E o Nasdaq, sobe 6,68% no ano, mas apresentou queda de -1,53% esse mês.

Apesar do receio com inflação, o mercado renova as máximas

Em linhas gerais, vimos o mercado ser surpreendido com dados de inflação acima do esperado ao longo do mês. Isso gerou um certo frenesi temporário, levando os índices a acumularem alguma queda durante os primeiros dias do mês – vide o gráfico abaixo do S&P 500.

 

Investing

 

Mas a verdade é que, assim como tenho comentado aqui, a recuperação segue “on track”, apesar de um ou outro indicador macroeconômico, eventualmente, surpreender negativamente.

Nesse sentido, vejo como normal e até saudável uma desaceleração do ritmo de atividade evitando maiores gargalos de produção. Isso também acaba por ajudar a reduzir os receios com inflação e, apesar de todas críticas e discussões sobre o tema, o que vimos nos últimos 2 meses foi uma acomodação da curva de juros de 10 anos nos EUA – vide o gráfico abaixo. Isso quer dizer que, apesar de se falar muito em inflação, o mercado parou de apostar em aumentos mais expressivos de juros.

 

Investing.

 

Calmaria?

Junto a isso, o nível de volatilidade agregada do mercado seguiu em queda, atingindo patamares bastante baixos e próximo aos níveis pré-pandemia. O mundo parece viver uma certa calmaria econômica com as economias desenvolvidas se recuperando e com a política – vide o gráfico abaixo que mede Global Uncertainty Index. Esse cenário é favorável aos ativos de risco que, consequentemente, sustentam o mercado nas máximas.

 

The Economist.

 

Não por acaso, entre os 10 índices de melhor performance nesse mês de maio, temos: Vietnã (HNX30), Polônia (WIG20), Rússia (RTSI), Hungria (Budapeste SE), China (A50) e até o Ibovespa. Em momentos de calmaria, o mercado busca retornos em diferentes lugares e isso abre espaço para boa performance de alguns emergentes.

 

Investing.

 

Vale lembrar que:

Resultados ajudam a puxar.

Fora isso, os resultados das empresas trouxeram mais surpresas positivas do que negativas. Não por acaso, após tais resultados, o que temos visto é uma enxurrada de atualizações de modelos e um aumento de projeções de lucros para o próximo trimestre. Em outras palavras, o mercado errou subestimando a recuperação e agora ajusta as expectativas de lucros.

O gráfico abaixo mostra a evolução dessas expectativas. No último dado, temos que o mercado espera um crescimento de lucros de forma agregada de 55% no segundo trimestre de 2021 frente ao mesmo trimestre de 2020 – duramente impactado pela pandemia.

 

The Earnings Scout.

 

E para acabar, olha que interessante…

Nesse cenário, onde os índices estão nas máximas e as empresas mais conhecidas também parecem esticadas, cabe ao investidor não se acomodar e buscar outras alternativas, levando em conta que o mercado americano possui mais de 6.000 ativos.

Um estudo da Richard Berstein Advisors mostra que ações menos acompanhadas por analistas tendem a performar melhor. A cobertura de analistas acerca do mercado é uma medida da “negligência” do mercado para certas ações e setores e pode ser um indicador interessante.

A tese é que as ações mais cobertas pelo mercado são escolhidas porque os bancos de investimentos têm interesses por trás, tais como realização de deals, M&A, emissões de dívida e etc. Como consequência, cria-se um universo de ações menos cobertas por analistas e menos acompanhadas pelo mercado, nas quais você pode encontrar boas assimetrias.

O gráfico abaixo do research da Merrill Lynch, destaca o desempenho relativo dessas ações “negligenciadas” pelo mercado, mostrando que essas tiveram um desempenho superior dos anos 2000 para cá.

 

RBA Insights.

 

E onde estão essas ações menos acompanhadas? No universo de ações Small Caps. O gráfico abaixo compara o número de analistas que cobrem as empresas mais conhecidas – techs e FAANG – com as empresas do Russell 2000 ,que é um índice de 2000 small caps americanas.

 

RBA Insights.

 

DAILY STOCKS

É também por isso que começamos o Daily Stocks.

Como Peter Lynch nos ensina, devemos investir naquilo que conhecemos. Então que tal conhecer uma nova empresa cada dia e criar repertório para ampliar sua capacidade de diversificação? Pois bem, essa é a proposta do Daily Stocks.

Acesse e cadastre-se para receber.

 

 

 LEITURAS INTERESSANTES…

  • Empresas de petróleo abandonando o petróleo? É isso mesmo que você leu! Em meio ao que muitos chamam de novo super ciclo de commodities, grandes empresas parecem se mover para fora do setor. A primeira a fazer isso foi a inglesa BP (leia mais sobre). Essa semana tivemos a Shell sofreu uma derrota na corte holandesa, a qual requisita que a empresa corte emissões de CO2 – confira. Além disso, investidores ativistas solicitando que a Exxon adote planos para abandonar o outrora chamado de ouro negro – leia mais sobre. E nessa mesma linha, investidores da Chevron também votaram em favor da empresa reduzir emissões – veja aqui.
  • Resumo de resultado. Na época de balanços sempre temos muitas movimentações nas ações. Analisar um balanço pode não ser uma coisa trivial nem simples, mas o site AlphaStreet faz um resumo bem visual que facilita a vida. Veja mais.
  • De olho na saúde? O site GuruFocus traz 2 bons artigos sobre duas empresas do setor de saúde, a CVS e a AbbVie. Clique aqui para ler sobre a CVS, e aqui para ler sobre a AbbVie.
  • Ouro e Bitcoin. Seria o ouro um bom preditor para o Bitcoin? Para Michael O’Rourke, chief market strategist da JonesTrading, sim. Mas ele se refere ao caminho percorrido pelo ouro na década de 70. Clique aqui e entenda.
  • Resultados de forma resumida. O site AlphaStreet traz uma série de infográficos dos resultados das empresas. Uma forma fácil, simples e direta de “ler” os resultados das empresas. Confira.
  • Onde os influencers são mais influentes. Estudo do Statista mostra que quando o assunto é a influência dos influencers, o Brasil se destaca como hub para eles. Clique e veja mais sobre.

 

Até semana que vem.

William Castro Alves

Gostou deste artigo?

Se inscreva na nossa newsletter e fique por dentro de tudo

    Desejo receber atualizações de notícias, eventos e ofertas.

    Ainda não é cliente?

    Abra sua sua conta sem custos para ter acesso a todo o nosso material

    Abra sua conta
    Precisa de ajuda?