VISÃO DO ESTRATEGISTA

RESUMO

Bom dia investidor, hoje quem fala é Guilherme Zanin e vamos para mais uma newsletter semanal.

SERÁ QUE É UM PÁSSARO, UM AVIÃO OU É A BOLSA AMERICANA QUE ESTÁ LÁ NO ALTO?

Hedgeye

Os mercados de ações americanos permaneceram otimistas no decorrer da semana passada. Isso se deve ao fato de que os investidores estão se preocupando menos com a possibilidade de uma inflação descontrolada. O FED agora atenuou esses temores, convencendo o mercado de que a inflação é transitória e está se concretizando, à medida em que os novos dados veem sendo divulgados. O VIX (índice do “medo”) subiu brevemente no período, mas os títulos do governo americano de 10 anos não se mexeram, permanecendo abaixo de 1,5%.

O Nasdaq continuou sendo o índice preferido dos investidores, mesmo depois do relativo desempenho inferior em abril e maio. O gráfico comparativo a seguir mostra a valorização dos principais índices nos últimos 30 dias. Observe como o Dow Jones (linha laranja/ +0,12%) perdeu totalmente seu papel de liderança logo no início do mês. Já o Nasdaq (linha azul/+5,26%) ultrapassou o S&P 500 (linha azul claro/+1,99%) e se mantém acima nos últimos 15 dias.

Trading View

E fazendo uma recapitulação do mercado de ações nos últimos 5 dias, observe abaixo:

Finviz

Apesar do desempenho positivo da maioria dos ativos, os grandes destaques foram para Tesla (TSLA), que subiu 10,25% na semana, por causa da compra de uma fábrica da Panasonic, e da Nike (NKE), que fechou em alta de 3,63%, depois que apresentou números acima do esperado no resultado trimestral. Na ponta negativa tivemos a Amazon com -1,15% e Intel com -1,94%.

APERTO DE MÃO ENTRE AMIGOS

O Globo

Na última quinta-feira foi anunciado o tão aguardado acordo do pacote bipartidário de mais de 1 trilhão de dólares. Vale lembrar que a novela não terminou, dado que os dois lados ainda precisam finalizar como eles pagariam por esse plano. Os republicanos não querem tocar em seus cortes de impostos de 2017 e o presidente Biden diz que não aumentará o imposto sobre o gás ou as taxas de usuários de veículos elétricos. Caso tudo termine bem, o pacote incluirá:

  • $312 bilhões irão para transporte, com $109 bilhões investidos em estradas, pontes e outros grandes projetos, $66 bilhões em transporte ferroviário de passageiros e carga, e $49 bilhões em transporte público;
  • Além disso, $15 bilhões irão para infraestrutura de veículos elétricos e ônibus elétricos e transporte público (é apenas uma fração do proposto por Biden inicialmente);
  • Inclui também $266 bilhões em infraestrutura de não transporte;
  • E $73 bilhões para energia, $65 bilhões para banda larga e $55 bilhões para água.

NUNCA SUBESTIME OS MAIS VELHOS!

A Europa é tradicionalmente uma área repleta de empresas ligadas à “velha economia”, sendo tradicional e produtora de ativos físicos. Apesar da defasagem da região com relação a investimentos em tecnologia em seus índices financeiros, o Europe Stoxx 600 apresenta uma boa valorização no atual ciclo econômico.

Marketradar

Como você reparou no gráfico, a Europa e os EUA têm os melhores desempenhos do ano, enquanto os países asiáticos permanecem estáveis. Isso porque depois de um forte início, as ações chinesas agora estão inalteradas ou lutando para não cair. Até o Japão está tendo um ano morno, principalmente por causa do lento início da campanha de vacinação e das incertezas nas Olimpíadas. Por isso, quando dizem para diversificar, não é apenas pensar em Brasil, EUA e China, mas definitivamente pensar no global.

E ESSE DÓLAR, VAI PARAR ONDE?

Hedgeye

Depois de mais de um ano cotado acima de R$5,00, o dólar perdeu fôlego e deu espaço à uma valorização do real, que na última semana se tornou a divisa de melhor desempenho contra a moeda americana do mundo.

Quais são os principais fatores que explicam esta queda do câmbio?

  • Diferencial de juros

Desde março, quando o Banco Central (BC) deu início a um ciclo de alta de juros, a Selic subiu de 2,0% para 4,25%. A autoridade monetária já indicou, inclusive, que pretende levar o juro básico ao nível neutro, que seria em torno de 6,5%. O juro em alta no Brasil aumenta o diferencial em relação às taxas de outros países. O aumento no diferencial de juros tende a atrair recursos estrangeiros de curto prazo, ainda mais em um contexto de apetite global por risco. Assim, existe uma pressão de valorização sobre o real, até porque o ajuste monetário no Brasil tem sido bem mais rápido do que em outras economias emergentes.

Note que somos um dos poucos países que já estão subindo juros, esperando maior inflação:

Bloomberg

  • Cenário externo

Outro fator observado com atenção pelos agentes do mercado é o comportamento do banco central dos Estados Unidos, o FED. Com a economia americana pujante, os dirigentes do FED começam a indicar que darão início às discussões sobre a redução dos estímulos monetários implementados desde o início da pandemia. Há bastante divisão entre os dirigentes do comitê decisório banco central americano (o FOMC, na sigla em inglês) sobre esse assunto, mas o presidente da instituição, Jerome Powell, tem destacado que vê a alta da inflação no curto prazo como temporária e, assim, tem tentado afastar pressões para uma ação voltada ao aperto monetário no curto prazo. Esse fator também tem deixado o dólar mais enfraquecido de forma global.

  • Conta corrente

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado na quinta-feira, o BC revelou que projeta um superávit em conta corrente de US$ 3 bilhões para este ano, o que evidencia a sobra de dólares no país, que pode exercer pressão de baixa na cotação da divisa americana.  O chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, nota que a dinâmica de conta corrente permanece favorável no curto prazo “dada a sólida demanda de exportação e a melhora dos termos de troca diante da fraca demanda doméstica e de uma taxa de câmbio competitiva”.

Entretanto, devemos sempre ter um pé atrás. Apesar do recente vento de cauda positivo para o Brasil, esse movimento de desvalorização da moeda brasileira pode ser fogo de palha. Em nota divulgada pelo BC na última sexta-feira, a autoridade monetária reportou que o fluxo de investimentos em ações e em títulos públicos no Brasil somou R$ 5,951 bilhões em maio. Essa entrada de capitais estrangeiros, que tem ligação com o aumento do diferencial de juros, tem sido um dos fatores a impulsionar a queda do dólar contra o real.

Este dinheiro que entrou no Brasil não é na economia real, isso é, nas empresas, estradas ou benefícios não diretamente ao país, mas sim monetário. Assim mesmo, ajudou a moeda brasileira, lembrando que este capital é especulativo, puramente com objetivo de ganhos financeiros de curto prazo, tendendo a voltar para o seu país em condições mais adversas, como podemos esperar no próximo ano.

 

Quais são os principais fatores que poderiam reverter estas quedas e o câmbio voltar a subir?

  • Inflação

A força da inflação tem surpreendido o Banco Central (BC). A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a autoridade avaliou que a pressão inflacionária tem sido maior que a esperada, principalmente entre bens industriais. O colegiado também considerou que a deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribui para manter a inflação elevada no curto prazo. Para o ano, as projeções de inflação estão próximas de 5,9%, segundo o FOCUS. E com a reabertura da economia e o sazonal período de compras no final do ano, este quadro pode se agravar ou estender ainda mais.

  • Eleições em 2022

É muito difícil fazer qualquer projeção para o próximo ano, quando haverá eleição para presidente. O fato dos dois principais candidatos atuais, segundo as pesquisas, serem muito diferentes, geram polarização e alta taxa de rejeição, complicando ainda mais o cenário futuro. A imprevisibilidade também se deve porque é uma eleição em que um dos candidatos está já no poder, sendo diferente de 2018, quando a situação estava mais aberta a novidades. Este temos de rachadura política pode afugentar o investidor estrangeiro e causar volatilidade no câmbio.

  • Risco Fiscal

Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública brasileira, o risco fiscal segue elevado. Segundo Banco Central (BC) sem reformas estruturais, ainda existirá uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado. Novos prolongamentos das políticas fiscais podem elevar os prêmios de risco do país. E com o ano eleitoral chegando, acreditamos que seja pouco provável que medidas impopulares sejam votadas no período e que os gastos eleitorais aumentem, causando dificuldade de melhorar a condição fiscal brasileira.

 

Por isso, essa pode ser uma oportunidade muito boa para o investidor começar a dolarizar parte de seu patrimônio. Além de pegar um patamar de câmbio mais baixo, se comparado há 15 meses, é possível ainda se aproveitar da queda de algumas ações para começar a montar o seu portfólio. Então, não deixe de acessar o relatório Seleção Avenue, disponível para nossos clientes.

 

LIVES PARA QUEM GOSTA DE CONTEÚDO DE QUALIDADE!

Na semana passada, realizamos uma série de lives no nosso Warm Up Avenue repleta de convidados especiais. Felizmente, muita gente gostou e provavelmente faremos mais eventos nesse formato. No entanto, para quem não pôde acompanhar, seguem os links com as gravações:

21/06/2021 – Segunda Macroeconômica

Convidado: Roberto Attuch Jr. – CEO da Ohm Research, falando diretamente da Europa.

Veja aqui

 

22/06/2021 – Terça dos REITs – Os fundos imobiliários americanos

Convidado: Ismael Fernandes (@central_dos_reits) – Referência em REITs no Brasil.

Veja aqui

 

23/06/2021 – Quarta Global – Commodities

Convidado: Mauricio Bellinelo (@mauriciobellinelo) – Especialista em Commodities há 12 anos e consultor em Gestão de Portfólios nos EUA.

Veja aqui

 

24/06/2021 – Quinta das Carteiras- Montando um portfolio internacional

Convidado: Daniel Stapff (@investidorsemfronteiras) – consultor financeiro formado em Business Finance, Summa Cum Laude pela Barry University na Florida

Veja aqui

 

25/06/2021 – Sexta Brasileira – Mudanças nos mercados de capitais nos últimos anos

Convidado: Professor Alexandre Cabral (@professoralexandrecabral) – Ministra aulas e cursos para as mais renomadas instituições brasileiras (B3, Ibmec)

Veja aqui

 

LEITURAS INTERESSANTES…

  • Microsoft se junta à Apple e entra para o clube dos US$ 2 tri de valor: Enquanto a empresa demorou 44 anos para atingir 1 trilhão, depois ela só precisou de 2 anos para dobrar de valor, dada a alta de 67% no ano. Veja a matéria aqui
  • As Maiores Empresas do Mundo em 2021. A Visual Capitalist publicou um estudo/post muito bom sobre as maiores empresas do mundo, separando por país e setores. Vale a pena a leitura.
  • Batalha Netflix x Disney: Uma empresa quer tentar ser mais parecida com a outra e vice-versa. Entenda como aqui
  • A Amazon tentando dominar o mundo: veja aqui as principais aquisições da gigante do mercado de varejo que está tentando dominar o mundo, atacando em todas as áreas.

Era isso pessoal, aquele abraço!

Guilherme Zanin

Gostou deste artigo?

Se inscreva na nossa newsletter e fique por dentro de tudo

    Desejo receber atualizações de notícias, eventos e ofertas.

    Ainda não é cliente?

    Abra sua sua conta sem custos para ter acesso a todo o nosso material

    Abra sua conta
    Precisa de ajuda?