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Tomás Roque

Formado em Economia pela UNESP com distinção e extensão em Business na Tampere University - Finlândia. Possui as certificações CGA, CGE e Series 99

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Uma das funções dos investimentos em nossa vida é preservar o poder de compra no decorrer dos anos. Para que isso ocorra, é preciso que os investimentos rendam, pelo menos, a taxa de inflação do período. Deixando mais claro: se sua carteira de investimento rendeu 5% ao ano, mas a inflação nesse período foi de 10%, houve uma perda no poder de compra, mesmo com uma rentabilidade nominal positiva.

Por isso é preciso que investimentos que se propõe a fornecer essa proteção tenham a inflação como o retorno mínimo aceitável. Mas apenas ela não é o bastante. Uma rentabilidade real, acima da inflação, é necessária para que os investidores aportem com esse objetivo.

Numa perspectiva de preservação de capital é importante também levar em conta a volatilidade. Por mais que investimentos com volatilidade possam gerar altos retornos no longo prazo, a parte da carteira focada em preservação patrimonial deveria minimizar essa variabilidade. Até porque em um evento de necessidade de liquidez não queremos correr o risco de que esse investimento possa ter caído. Então o artigo de hoje falará desses dois pilares: rentabilidade real e baixa volatilidade.

 

O que é inflação?

Antes de começar, é importante explicar o que é a inflação. Esse conceito é sempre bom de ser lembrado. Inflação é alta generalizada dos preços, e geralmente é calculada a partir uma cesta de bens e serviços na economia, observando a variação do preço de cada item, dada uma proporção preestabelecida. Deixando mais claro, não é porque o azeite subiu 20% no último mês que a inflação será 20%. Soma-se ao azeite, o arroz, feijão, macarrão etc. englobando boa parte dos alimentos consumidos pela média da população. Além de gastos com alimentação mede-se uma cesta de gastos que inclui, habitação, transportes, vestiário, saúde, despesas pessoais, artigos de residência, educação e comunicação.

Existem pontos importantes:

  1. Tanto a metodologia quanto os bens selecionados nessa cesta hipotética variam de país para país e até de instituição para instituição. O CPI, principal índice de inflação nos EUA é calculado pelo U.S Bureau of Labor Statistics, enquanto o PCE, outro índice bastante utilizado no mercado americano, é calculado pelo Bureau of Economic Analysis. Ambos medem a inflação dos EUA, mas com abordagem e metodologias distintas.
  2. A inflação é uma média. Cada pessoa terá uma inflação diferente, dependendo dos seu hábitos de consumo. Alguém que viaja muito, por exemplo, sentirá mais o peso dos aumentos nas passagens aéreas do que alguém que não viaja.

Outra boa maneira de entender a inflação é pensar nela como a perda do poder de compra de uma moeda. Ou seja, aquilo que um dólar ou um real compravam ontem relativamente ao que conseguem comprar hoje. A moeda brasileira, desde janeiro de 1999 até dezembro de 2023, perdeu mais de 78% do seu valor devido à inflação, de acordo com o IBGE, instituto que calcula o IPCA, principal índice de inflação no Brasil. No entanto, esse não é um fenômeno exclusivo do Brasil, embora seja mais acentuado aqui.

Na zona do euro, nesse mesmo período, a perda do valor de compra foi de mais de 62%, enquanto o dólar, que teve a menor queda entre os 3, perdeu um pouco menos de 47%. E isso é esperado, especialmente porque os Bancos Centrais dos principais países tomam as suas decisões de política monetária tendo por base uma meta de inflação positiva. Crescimento econômico, aumento da demanda, aumentos salariais, mobilidade social, estímulos fiscais etc., são todos fenômenos que tendem a ser inflacionários na sua natureza. E inflação positiva ao longo dos anos nesses países, e, consequentemente, as moedas percam poder de compra.

 

Rentabilidade Real

Como mencionado no início deste artigo, precisamos ver a rentabilidade real dos investimentos, não apenas a nominal, para garantir que haja ganho de poder de compra ao longo do tempo. Se a inflação do período foi de 10% e a carteira de investimentos rendeu 5%, na realidade houve uma perda real de 5%. Por outro lado, caso a inflação tenha sido a mesma, 10%, mas os rendimentos no período foram 20%, a rentabilidade real seria 10% positiva.

Por esse motivo (e tantos outros), os Bancos Centrais têm como principal objetivo o controle do nível de preços. O que não faltam são exemplos históricos de diferentes países onde a inflação saiu do controle, e mesmo investimentos rendendo 100% ao ano, por exemplo, podem não fazer sentido, quando o nível de preços sobe 500%.

Um caso extremo que pode ilustrar uma inflação descontrolada é a Hungria pós 2ª Guerra Mundial, onde a inflação diária, em seu auge, chegou a 150.000% ao dia. Não há investimento viável em um cenário desse, todo o salário é destinado à sobrevivência, seja moradia ou alimentação. Esta última, em seu auge, chegava a duplicar de preço em menos de um dia. Abaixo é possível ver uma nota de 100 trilhões de pengős, moeda corrente no período.

Fonte: BBC

 

Baixa volatilidade

Além de buscar uma rentabilidade real, investimentos que prezam pela preservação de capital precisam ter uma volatilidade baixa. Quando se pensa em manter seu patrimônio protegido, o sobe e desce pode ser (e muitas vezes é) desconfortável. Ativos que têm esse objetivo devem evitar surpresas e ter uma previsibilidade no futuro próximo. Por isso, tanto se fala que ações de empresas listadas são para o longo prazo, considerando que a aleatoriedade rege os retornos desses ativos em períodos curtos.

Por outro lado, títulos de renda fixa e fundos que investem nesse tipo de dívida geralmente são os mais procurados para preservar o capital, principalmente aqueles com grau de investimento (Investment Grade, em inglês). Eles podem ser tanto soberanos, ou seja, títulos de dívida de países, quanto corporativos, de empresas ao redor do mundo.

 

Considerações Finais

Perfis de investidor mais conservadores tendem a ter uma alocação maior em produtos com foco em preservação de capital. O que se procura nesses investimentos são os pontos já citados, mas que irei enumerar:

  1. Rendimentos acima da inflação;
  2. Baixo risco;
  3. Alta liquidez.

Este último ainda não tinha sido comentado no artigo, mas é simples de entender: é a facilidade de transformar um investimento em dinheiro. Entre um apartamento e um título de dívida do governo americano, o segundo terá uma liquidez muito maior, pois é muito mais negociado. Um apartamento não possui cotação a todo momento, nem inúmeros compradores buscando exatamente um lugar para morar com as características dele.

Sobre liquidez, a Julia Severo escreveu um artigo completo sobre esse tema, você pode conferir aqui: Liquidez nos investimentos: entenda o que é e como funciona (avenue.us)

Entender como a inflação funciona e impacta seus investimentos, bem como a diferença entre rentabilidade real e nominal, além dos fatores que influenciam a escolha de ativos de acordo com o perfil do investidor, ajuda a tomar decisões mais informadas e alinhadas com objetivos do investidor, sejam eles de prazo curto, médio ou longo.

 

Referências:

Inflação | IBGE

Inflation calculator (csb.gov.lv)

CPI Inflation Calculator (bls.gov)

O país onde os preços duplicavam a cada 15 horas – BBC News Brasil

 

Disclaimers:

A situação de cada investidor é única e você deve considerar seus objetivos de investimento, tolerância ao risco e horizonte de tempo antes de fazer qualquer investimento. Investir envolve risco e você pode incorrer em um lucro ou perda, independentemente da estratégia selecionada. O conteúdo acima não é uma recomendação para comprar ou vender qualquer ativo individual ou qualquer combinação de ativos.

Qualquer informação não é um resumo completo ou declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento e não constitui uma recomendação. Os investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os investidores.

Todo tipo de investimento, incluindo fundos, envolve risco. Risco refere-se à possibilidade de que você perderá dinheiro (tanto principal quanto qualquer ganho) ou não consiga ganhar dinheiro com um investimento. A mudança das condições do mercado pode criar flutuações no valor de um investimento em fundos. Além disso, existem taxas e despesas associadas ao investimento em fundos que geralmente não ocorrem na compra de ativos individuais diretamente

Avenue Securities Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Avenue Securities DTVM”) é uma distribuidora de valores mobiliários brasileira devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities DTVM Ltda., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Securities DTVM não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

 

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